Entrevista com Semeghini, Campeão do WSOP Rio 2019

Com títulos no Sunday Million 2017, SCOOP $215 de 2018 e WSOP Rio Semeghini conversa com a gente sobre poker, empreendedorismo, política, seu time e suas inspirações na carreira.

Mais Poker- Me conta um pouco sobre a sua história no Poker

Rodrigo Semeghini – Eu conheci o poker em 2008 jogando Home Game na casa de amigos como hobby. Nessa época eu trabalhava na área de transporte. Eu percebia que sempre tinha um cara que ganhava o jogo e fiquei intrigado. Comecei a procurar na internet sobre e vi que era um negócio sério, que era muito mais que sorte. E que o pouco que ele sabia dava uma vantagem grande no resultado. Depois de ler alguns artigos eu nunca mais perdi (risos). Desde 2016 minha principal ocupação é o poker, ainda invisto em algumas outras áreas, mas minha carreira mesmo é no poker.

Mais poker- Você tem uma veia empreendedora né? Tem investimentos e criou um time de poker, o Guerreiros Poker Team. Você se vê mais como o business ou mais jogador?

RS – Sou mais jogador. Óbvio que quando aparecem oportunidades eu invisto, o espírito empreendedor não fica parado. inclusive o Guerreiros nasceu disso. Apesar de ser uma empresa tem que ser jogador e entender de poker para que o time dê certo.

Mais Poker- Na sua opinião qual a relação entre empreender e o poker? Quais ensinamentos você leva de um para o outro?

RS- Acho que tem muita coisa em comum. O risco é um fator muito presente nos dois, empreender principalmente no Brasil é arriscado. Para ser tanto jogador quanto empresário é preciso lidar com isso.

Mais Poker – Qual o fator no risco que te atrai? Como você se relaciona com isso?

RS – Eu nunca tive problema em me colocar em situações de incerteza, não me preocupo muito  com as perdas de dinheiro, se eu achar que é a melhor decisão eu vou fazer. Isso me ajuda a não me apegar ao resultado e tira um pouco dessa pressão do dinheiro.  Acho que o que me atrai é o desafio, por ser muito ativo não conseguia me imaginar em um trabalho monótono. Eu trabalhei para os outros em uma empresa de gerenciamento de risco financeiro e não durou nem um mês. Pedi demissão em duas semanas (risos). Aquele trabalho não iria ser capaz de extrair o melhor de mim. O poker me motiva a ser sempre melhor, por não ter limites. Está sempre evoluindo e você precisa se dedicar constantemente para chegar ao topo. Depende apenas de você, nada nem ninguém te limita.

Mais Poker- Não faz parte da nossa cultura incentivar esse risco e a ambição nas pessoas. Normalmente a convenção e a estabilidade são vistas como o melhor caminho. Qual seu pensamento sobre?

RS – É, o brasileiro às vezes se limita muito em relação á negócios e a dinheiro. Coloca os concursos públicos como a melhor escolha. Ambição é muito confundida com ganância, e são coisas muito diferentes. Muita gente vê as pessoas bem sucedidas na vida é fala que a pessoa é gananciosa. A ganância é um cara sem princípios que faz de tudo para conseguir subir, já o cara ambicioso é uma pessoa que luta pelo que quer sem passar por cima de ninguém. E isso muitas vezes não é valorizado. Muitas pessoas enxergam a ambição como algo ruim. Quando a pessoa fala que quer ser o melhor jogador de poker do mundo, isso é confundido com arrogância.

Mas acho que as coisas estão evoluindo nesse aspecto. Menos pessoas falando em concursos públicos e mais pessoas estão falando sobre empreendedorismo, em ser empresário ou em não fazer faculdade e ir direto para o mercado. Isso para mim é uma evolução. Para a maioria das pessoas pode ser estranho, mas é uma evolução as pessoas escolherem seguir o caminho que acreditam, sem seguir cegamente as convenções ou o mais “seguro”.

Hoje em dia com tantas informações disponíveis na internet o que conta mesmo é ter proatividade para buscar aprender e estudar por si mesmo. Quando a iniciativa parte de dentro é mais prático e eficaz o aprendizado. Quando estuda por si mesmo você pode interagir, ir atrás do que é mais relevante para você. O padrão convencional de passar o conhecimento não serve para todo mundo. Acho que tem muita gente desperdiçada por causa disso. As pessoas têm que seguir um caminho próprio, fazendo as escolhas que se aproximam dos seus objetivos. Impor nunca é a melhor solução. 

Mais poker- Falando de educação e política. Se você pudesse escolher um presidente para o Brasil, pode ser qualquer pessoa. Quem seria e por quê?

RS – Eu escolheria o Flávio Augusto, do Geração de Valor que é um empreendedor de meia idade. A maioria das vezes somos liderados por pessoas de cabeça mais fechada, mais tradicionais, e acho que isso atrasa o crescimento das coisas. E o mundo muda muito rápido. Tem que ter a cabeça mais aberta para acompanhar as mudanças. Admiro o Flávio por ter essa visão de mundo fora da caixa, mais mente aberta. Ele até fala que largou a faculdade e fala bastante que o caminho convencional nem sempre significa sucesso. Gosto da visão de mundo dele, e apesar de ser jovem acho que ele tem muita experiência.

Mais Poker- Já podemos até fazer uma campanha, “Flávio Augusto para presidente!” (risos)

Mais Poker- Outra pergunta nessa linha, se você pudesse escolher jantar com alguém famoso, pode ser uma pessoa viva ou que já morreu. Quem seria?

RS – Eu levaria o Stephen Hawking, aquele que tem a biografia no filme “A teoria de Tudo”, conversar com ele deve ser inspirador.

Mais Poker- Um sonho que ainda não foi realizado.

RS – Conhecer o mundo. Ainda quero conhecer vários lugares tipo Rússia, África, Colômbia, Japão, Austrália.

Mais Poker- Seu maior objetivo no poker?

RS – Sempre tenho como objetivo chegar nos limites mais altos do poker. Já estou alcançando isso no online, com buy ins de 10K. Meu objetivo de médio prazo é ir para o High Stakes ao vivo. Vou continuar me preparando para isso.

Mais Poker- Quem você tem como inspiração no meio do poker?

RS – Eu admiro muito o André Akkari, não só como jogador, mas a maneira como ele conduz a carreira dele. Como empresário, acho que ele é um exemplo a ser seguido.

Mais Poker- Conta um pouquinho como foi essa trajetória de conseguir o anel e o título do WSOP Rio 2019. Alguma situação que te marcou lá.

RS – Teve uma situação no 3 handed, que eu tenho 4 e 5 e o bordo bate 238A. Eu estava com sequência nuts. Betei flop e turn alto, o Luís Kamei me pagou. No river dobra o 3, ele check e eu dei all in. Nessa hora ele começou a pensar, só que ele tinha 1 time bank, e lá cada um só tem 30 segundos. Quando deu os 30 segundos ele perguntou para a dealer quanto tempo faltava, e ela deu a informação errada. Quando deu um minuto e vinte segundos o floor veio na mesa e falou que ele estava automaticamente de fold, aí deu maior discussão entre ele, o floor e a dealer para resolver o que fazer. E eu louco para ele dar call né? Eu só perdia para full, mas se fosse o caso ele não estaria pensando tanto. Depois fiquei sabendo que ele tinha o A então tinha grande chance que ele fosse pagar a mão. No final a mão foi foldada mesmo e foi muito bom para ele, porque ao invés de cair em terceiro ele ficou em segunda colocação.

Mais Poker- Você tem um time de poker, o Guerreiros Poker Team?

RS – Sim, o Guerreiros foi fundado em agosto de 2016. Inicialmente quem criou foi eu e o Nicolau Villa Lobos, e tem até uma história engraçada sobre como tudo aconteceu.

A gente estava em Vegas, em um torneio de quase 3000 pessoas eu me sentei do lado dele na mesa. Ficamos jogando umas horas e aí a mesa quebrou e tivemos que mudar de lugar.

Um tempo depois jogando em mesas separadas a mesa que eu estava quebrou de novo e coincidentemente nos sentamos do lado outra vez. Aí beleza, voltei de Vegas e o próximo evento que fui foi para o BSOP São Paulo. Quando entrei no Main Event e sentei, quem estava do meu lado? O Nico de novo. Aí caí do Main fui para o High Roller, e inacreditavelmente cai do lado do Nicolau de novo na mesa. Parece mentira né? Sinistro.

Nessa hora a gente falou, ” que parada é essa, acho que é um sinal que a gente tem que fazer alguma coisa juntos, vamos criar um time!” Assim que voltamos de São Paulo a gente começou a planejar o Guerreiros. Hoje já temos 3 anos de time, estamos com 40 jogadores. Atualmente somos 4 sócios, O Bruno Kawauti, Yuri Gama, eu e o Nicolau.

O time foi muito importante para mim e para minhas conquistas. Acho que sem a responsabilidade de ensinar eu não teria crescido tanto.

Minha maior ambição é que em 5 anos nosso time esteja no nível do 4-Bet ou o Samba. Com uns 300 jogadores, mais instrutores. E que mais players joguem o High Stakes. A ideia é que nosso time seja forte!

Mais Poker – Semeghini, muito obrigada pela entrevista!

**Para acompanhar Semeghini de perto siga ele e o Guerreiros Poker Team no Instagram:

@rodrigosemeghini / @guerreirospokerteam

*** Veja também a entrevista com Yuri Martins.

Por Camila Avelar

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